Posts com a Tag ‘Família Real’

Continuando com a vinda da Familía Real para o Brasil

Olá a todos!

Após uma semana de interrupção, voltamos às revisões, e especificamente para amarrar os caminhos e repercussões da vinda da Família Real para o Brasil, provavelmente o assunto mais falado por historiadores brasileiros e portugueses esse ano. Vamos lá:

d) A Interiorização da Metrópole: Construída uma estrutura que permita ao Rio de Janeiro se tornar capital do Império, se formam também as relações sociais que permitem chamar o Rio de Corte. Em outras palavras, comerciantes de grosso trato brasileiros do sudeste e alguns vindos de Portugal vão enraizar, fixar seus interesses mercantis em torno da Corte do Rio de Janeiro. Dessa forma, esses comerciantes do sudeste que através de favores e doações se tornam nobres e D. João VI iriam criar uma relação de dependência mútua. Estariam excluídas desse jogo principalmente as elites das regiões norte e nordeste. Esta seria uma das causas da Revolução Pernambucana de 1817.

e) O início do fim: O Rio de Janeiro já se tornara Corte, as elites do sudestes já se tornaram nobres. Mas as Guerras Napoleônicas (1804-1815) já haviam acabado também, e D. João não dava nem sinais de que pretendia voltar e tornar Lisboa e Portugal novamente os centros de seu Império. Estoura, então, o movimento conhecido como Revolução Liberal do Porto (1820), que pregava a recolonização do Brasil por Portugal e a volta de D. João ao país. Tal movimento também ficou conhecido como a regeneração vintista. De fato, em março de 1821, D. João retornava ao seu país de origem. Não sem mostrar, em suas cartas, como sentiria saudades do Brasil.

f) Caminho para a Independência: Os portugueses queriam, ao mesmo momento, se tornar novamente capital do Império e recolonizar o Brasil. Feriam, então, duas conquistas essenciais da elite brasileira que se interiorizou junto à Corte Lusa no Rio de Janeiro: o caráter de centro político e a autonomia econômica. Nas Cortes de Lisboa, espécie de Parlamento onde se decidiria nova Constituição do Império, os conflitos entre brasileiros e portugueses se acirravam. Na virada de 21 para 22, D. Pedro declara sua permanência no Brasil. Estava, pouco a pouco, sendo pintado o quadro da Independência do país…

Aqui terminamos essa breve revisão sobre a vinda da Família real e suas conseqüências para o Brasil e seu processo de Independência. Cabe lembrar da importância do tema, e que ele deve estar muito bem estudado para as provas de vestibular. Traremos outros temas, ainda a serem escolhidos. E claro, esperamos também sugestões.

Abraços e até a próxima!

Bernardo Padula e Bruno Marques

A vinda da Família Real – Revisando a grande vedete da História em 2008

Olá a todos!

Uma rápida passada numa livraria já é suficiente para saber qual foi o grande assunto na História em 2008. Centenas (!) de lançamentos, entre livros e artigos, foram feitos. Congressos diversos, reunindo pesquisadores de todo mundo inclusive (como no realizado na UFF, em março), apontam como a comunidade acadêmica estava voltada para esse assunto. A grande vedete foi, com certeza, os 200 anos da vinda da Família Real para o Brasil e a instalação da sede do Império Luso-Brasileiro no Rio de Janeiro. Mas como todos esses debates refletem na vida do vestibulando?

Já começo com um apontamento: o assunto sempre foi grande alvo de provas. Nos últimos então, a freqüência parece ter aumentado. Na UFF, aparece seguidamente há dois anos, seja na primeira ou na segunda fase; a UFRJ cobrou no seu concurso de 2006; a UERJ já apresentou no Segundo Exame de Qualificação; e se aumentarmos a amostragem de provas, mais exemplos surgirão. A verdade é que o assunto vem sendo extensamente cobrado, e sendo centro das atenções da “Academia” nesse ano. Não tem porque achar que nos concursos de 2008 ele não aparecerá.

Pensando nisso, o aqui no Desconversa faremos um mini-especial com pontos determinantes para se compreender a importância do 1808 na História do Brasil, bem como apresentar conteúdo útil aos candidatos das próximas provas de vestibular no ano. Vamos começar:

a) A Conjuntura Européia: O Império Napoleônico estava em processo de plena expansão na primeira década do oitocentos, mas ainda encontrava um grande rival: a Inglaterra. Não podendo vencer os súditos da Rainha por mar, o imperador francês optou por vencê-los em outra via: a econômica. Para isso, decretou o Bloqueio Continental (1806), proibindo as nações continentais européias de comercializar com a Inglaterra. Portugal, tradicional parceiro inglês, se viu entre comprometer essa histórica parceria ou se ver invadido pela França. Nesse contexto, D. João VI opta pela transferência da Corte para o Brasil, tornando o país sede da monarquia.

b) Transferência, e não fuga: Parece mero jogo de palavras, mas não é. A visão tradicional, de fuga desembestada da Corte para o Brasil, é contestada por uma historiografia mais recente. O principal argumento para afastar a hipótese de fuga é o projeto do Império Luso-Brasileiro, do ministro Rodrigo de Souza Coutinho, que já visava a transferência da sede da Monarquia para o Brasil na década de 1790. Segundo Coutinho, o Brasil oferecia paz social, controle das riquezas naturais da colônia e afastava o risco de invasões estrangeiras, por isso seria melhor sede para a Monarquia portuguesa. Tal temática já foi inclusive abordada em Concursos de Vestibular, com a UFRJ em 2006.

c) O Rio, a nova Corte: junto com D. João, chegam outros importantes setores da elite portuguesa. O Rio de Janeiro, a nova capital do Império, precisa de reformas para se tornar “digna”, segundo os padrões europeus de ser a sede da Monarquia. É uma questão clássica cobrar as reformas joaninas no Rio e no Brasil, que visavam fazer da colônia, e principalmente da cidade do Rio de Janeiro, sede desse governo. Vamos a algumas delas: A abertura dos Portos de 1808; a elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal e Algarves em 1815; a criação da Real Junta de Comércio, Agricultura e Navegação; do Banco do Brasil; do Horto Real; da Intendência de Policia; a Mesa de Desembargo do Paço; o Teatro de São João; a Real Academia Militar; a Escola de Belas-artes; entre muitas outras. Claro, não é preciso saber todas as reformas, mas lembrar de algumas é muito importante. É um conteúdo muito cobrado, e pode aparecer tanto nas especificas quanto nas não-especificas. A própria UERJ já cobrou no exame de qualificação desse ano.

Para não alongar demais o post, terminamos por aqui. O assunto 200 anos da Vinda da Família Real retornará a esse espaço na semana que vem, para ser devidamente amarrado. Esperamos que seja útil.

Uma observação: temos alguns assuntos planejados, porém gostaríamos de saber se existe alguma temática em especial que os alunos julguem que uma abordagem como a feita hoje possa ser útil. Estamos abertos a sugestões.

Um abraço e até a próxima,

Bernardo Padula e Bruno Marques.


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