Arquivo de setembro de 2010

Quando usar vírgula – passo 1

To vírgula or not to vírgula – parte 1

Se te disseram que vírgula era pra marcar uma pausa ou pra respirar, estavam te sacaneando.

Olá, galerinha! Volto aqui pra tratar de tema corriqueiro e que embola muita gente por aí: a vírgula. Quando usar, quando não usar? Inúmeros são os casos e por isso vou tentar tratar apenas dos mais frequentes.

Costumamos ver a vírgula sendo utilizada pra marcar um termo que foi deslocado de seu lugar original (lembrem: ordem direta = sujeito + verbo + complementos (se houver) + predicativo (no caso do predicado nominal) + adjuntos adverbiais (esses devem vir no fim mesmo). Veja.

  • Farei a mudança dos meus móveis no próximo sábado. (ordem direta)
  • No próximo sábado, farei a mudança dos meus móveis. (ordem indireta)

Veja como a vírgula surge quando mudamos o adjunto adverbial de tempo de lugar. Se ele fosse parar no meio da oração, surgiriam duas vírgulas. E não esqueçamos que orações com valor de advérbio devem se apoiar na mesma lógica.

Volto em breve com mais toques sobre o assunto.

Grande abraço.

Exercício comentado – Conjunções

Olá, molecada! Pra provar que não é maluquice inútil as coisas que vim discutindo nos últimos três posts (conjunções e seus valores), trouxe uma questão do Enem 2009 que trata justamente sobre isso.

A seguir, a questão e os respectivos comentários que farei a respeito dela:

Aumento do efeito estufa ameaça plantas, diz estudo.
O aumento de dióxido de carbono na atmosfera, resultante do uso de combustíveis fósseis e das queimadas, pode ter consequências calamitosas para o clima mundial, mas também pode afetar diretamente o crescimento das plantas. Cientistas da Universidade de Basel, na Suíça, mostraram que, embora o dióxido de carbono seja essencial para o crescimento dos vegetais, quantidades excessivas desse gás prejudicam a saúde das plantas e têm efeitos incalculáveis na agricultura de vários países.

O texto acima possui elementos coesivos que promovem sua manutenção temática. A partir dessa perspectiva, conclui-se que

(A) a palavra “mas”, na linha 3, contradiz a afirmação inicial do texto: linhas 1 e 2.

(B) a palavra “embora”, na linha 4, introduz uma explicação que não encontra complemento no restante do texto.

(C) as expressões: “consequências calamitosas”, na linha 2, e “efeitos incalculáveis”, na linha 6, reforçam a ideia que perpassa o texto sobre o perigo do efeito estufa.

(D) o uso da palavra “cientistas”, na linha 3, é desnecessário para dar credibilidade ao texto, uma vez que se fala em “estudo” no título do texto.

(E) a palavra “gás”, na linha 5, refere-se a “combustíveis fósseis” e “queimadas”, nas linhas 1 e 2, reforçando a ideia de catástrofe.

Pois é, galera, pra matar a questão deveríamos estar atentos aos valores semânticos das conjunções. Na letra A, afirma-se que mas funciona como adversidade, mas a verdade é que não há efeito de contrariedade entre as orações que essa conjunção liga; na verdade, ocorre o oposto.

A opção B nos testa novamente, dizendo que embora possui valor explicativo, quando na verdade está criando um clima de concessão (está fazendo uma ressalva a respeito da ideia de que o monóxido de carbono ajuda o crescimento das plantas).

A questão ainda trata sobre os demais mecanismos de coesão, como substantivos anafóricos e testa a habilidade 18 (Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos).

Fiquem ligados pra mais posts e mais questões comentadas em breve.

Grande abraço.

As Coordenadas e as Subordinadas, parte 3

Olá, queridos. Fecho hoje nosso papo sobre coordenação e subordinação. Confirmando o que já foi dito, período composto por coordenação é aquele onde as orações são completas estruturalmente. O período composto por subordinação apresenta orações com funções sintáticas em relação a outras.

Essa relação sintática que as subordinadas apresentam pode variar. Poderemos encontrar orações funcionando como complementos, sujeitos, adjuntos, apostos, entre outros. A seguir, vai uma lista de casos pra exemplificar o que eu disse:

  1. Os alunos querem que as provas sejam fáceis. (primeira oração possui verbo transitivo direto e a segunda funciona como objeto dele)
  2. Existia necessidade de que o povo se organizasse. (primeira oração termina com substantivo abstrato e a segunda funciona como complemento nominal dele)
  3. Meu pai, que sempre foi trabalhador, era um grande homem. (a oração em itálico possui substantivo – pai – que recebe uma especificação da oração em negrito, que funciona como aposto explicativo)
  4. Se o tempo melhorar, sairemos todos. (a primeira oração é condição para a ação da segunda, o que a determina como adjunto adverbial de condição)

Observando a estrutura dos períodos exemplificados, percebemos como uma das orações trabalha em prol de outra, exercendo assim função sintática. Veja agora um período composto por coordenação e observe como as orações são completas estruturalmente:

  • Os alunos não têm mais dúvidas, pois prestaram atenção na explicação.

A oração em itálico possui sujeito e predicado, assim como a oração em negrito. Possuem complementos e outros elementos que formam o sentido das mesmas. Por essa razão, são classificadas como coordenadas. A conjunção que as une cria um efeito de explicação.

Queridos, espero ter ajudado. Não se esqueçam de olhar os posts anteriores e comentem o que achar importante.

Grande abraço.

As Coordenadas e as Subordinadas, parte 2

Olá, meus queridos. Como prometido, aqui estou estou, continuando a falar sobre a coordenação e a subordinação. Veja que essa história começa com o estudo de conjunções, que são as palavras que causam coesão entre termos e orações.

Existem conjunções coordenativas, que introduzem  orações coordenadas; e existem conjunções subordinativas, que introduzem orações subordinadas.

A diferença básica entre a coordenação e a subordinação é que essa precisa de oração que exerça função sintática em relação a ela, diferente daquela, que possui estrutura oracional completa, logo não necessita da existência de nenhuma outra. Veja os casos abaixo e compare:

  1. Precisei de remédios, por isso tive que caminhar até a farmácia. (oração coordenada, introduzida por conjunção coordenativa)
  2. Não sei se quero ir ao jogo com você. (oração subordinada com valor de objeto direto, introduzida por conjunção subordinativa)

As conjunções exercem um papel importante, porque são elementos coesivos e costumam criar valores semânticos entre os períodos.

Fiquem ligados, pois no próximo post falarei mais sobre esse assunto.

Grande abraço!


SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline