Arquivo de setembro de 2010

As Coordenadas e as Subordinadas

A diferença mais prática entre coordenação e subordinação!!

Olá, galera! Tema costumeiro em provas, a coordenação e a subordinação têm uma história um pouquinho longa, que eu vou explicar passo a passo pra vocês aqui no Descomplica. A princípio, saibam o que aprender muito em breve:

  • Diferença entre as conjunções coordenativas e subordinativas;
  • Utilização dessas conjunções no período composto;
  • A diferença fundamental entre as orações do período composto.

Muito em breve, mais será dito sobre as nossas amiguinhas. Fiquem ligados!

Grande abraço.

No Lindo Mundo da Narração

Nesse lindíssimo domingo ensolarado, quando você poderia estar esperando aquela onda perfeita na praia, mas na verdade está a caminho da segunda prova da UERJ, aqui estou eu novamente, pra tratar de tema bastante comum nas provas do Enem: o foco narrativo.

Na prova de 2006, algumas questões apresentavam justamente pontos que abordavam as mudanças e implicações de perspectivas do narrador (lembrem daquela questão com o texto do Cornélio Pires), então acho bacana lembrarmos que a narrativa convencional pode apresentar, pelo menos, quatro tipos de narrador. Vamos a eles?

O narrador personagem é aquele que apresenta uma perspectiva em primeira pessoa dos acontecimentos, já que participa em primeira mão dos fatos relatados. Em geral, essa visão da narração costuma ser parcial, visto que as opiniões do narrador ficam bastante evidentes, graças à utilização de classes de palavras que tendem a explicitar uma única interpretação dos fatos (adjetivos e advérbios). Veja esse trecho de Dom Casmurro:

Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No Meio dela, Capitu olhou alguns instantes para ver o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas…

O narrador também pode ser um personagem, porém não precisa ser o protagonista, como em Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, onde a narrativa é feita por alguém que parece acompanhar as aventuras do protagonista.

Temos o narrador observador, em terceira pessoa, que não se envolve nos fatos relatados e, dessa forma, parece ser aquele que tem o maior grau de imparcialidade, já que relata apenas o ocorrido, sem maiores envolvimentos com os personagens ou os acontecimentos. Veja esse trecho de um texto de Clarice Lispector, em que prevalece o descritivismo do narrador meramente observador:

O sono do líder é agitado. A mulher sacode-o até acordá-lo do pesadelo. Estremunhado, ele se levanta, bebe um pouco de água, vai ao banheiro onde se vê diante do espelho. O que ele vê? Um homem de meia-idade. Ele alisa os cabelos das têmporas, volta a deitar-se. Adormece e a agitação do mesmo sonho recomeça.

Finalizando, temos o narrador observador onisciente. Onisciência é a consciência a respeito de tudo e de todos. Dessa forma, esse tipo de narrador, além de nos contar os fatos, possui entendimento pleno a respeito das características particulares dos personagens, assim como sua história de vida, segredos, temores, anseios. Pode ainda dar esclarecimentos a respeito do espaço com maior fidelidade, já que é capaz de se aproximar ou distanciar dos fatos narrados. Perceba como fica claro esse procedimento neste trecho de O Cortiço, em que o narrador apresenta características mais subjetivas da personagem narrada, assim como consegue estar em diferentes pontos do cenário ao mesmo tempo:

A Bruxa surgiu à janela da sua casa, como à boca de uma fornalha acesa. Estava horrível; nunca fora tão bruxa. O seu moreno trigueiro, de cabocla velha, reluzia que nem metal em brasa; a sua crina preta, desgrenhada, escorrida e abundante como as das éguas selvagens, dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno. E ela ria-se, ébria de satisfação, sem sentir as queimaduras e as feridas, vitoriosa no meio daquela orgia de fogo, com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca. Ia atirar-se cá para fora, quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada, que abateu rapidamente, sepultando a louca num montão de brasas.

De forma geral, é isso. Não devemos imaginar que um mesmo texto apresenta o mesmo narrador do início ao fim. Não haveria graça alguma se fosse assim, certo? Portanto, atenção no enfoque e nas características que podem ser implicadas.

Até a próxima, queridos.

Enem e Modernismo no dia da independência

Retumbem as cornetas!! Comemoremos o 7 de setembro!

Ok. Se você não está assim com tanto ânimo pra dar um pulinho na Presidente Vargas e assistir ao desfile militar anual em comemoração a independência do Brasil, ao menos atente para o seguinte: é muito provável que a prova do Enem cobre conhecimentos seus a respeito do valor da cultura nacional na produção escrita brasileira. E de onde viriam as melhores questões a esse respeito? Pois é, das aulas de literatura em que você estava tirando uma soneca enquanto o professor falava sobre o movimento modernista. Por isso, vou quebrar seu galho e fazer uma breve síntese a respeito da contribuição dessa tão importante escola para a literatura brasileira.

Lembremos da prova de 2007, em que inúmeras questões utilizaram textos de autores modernistas e que faziam referência a este movimento. E por que é comum, não só no Enem, mas também na maioria das provas para universidades, serem cobrados conhecimentos sobre o Modernismo? Simples, muito simples. Durante o período inicial do século XX e nas décadas que se seguiram, houve uma proposta muito consistente de revitalização da cultura nacional, com ideais renovadores que se propunham a tornar o patrimônio cultural, linguístico, folclórico e filosófico brasileiro (sentiu aí alguma familiaridade com o Enem?) o centro das atenções da arte e das relações culturais e sociais de uma forma geral. E foi no Modernismo, surgido nesta época, que essas ideias puderam ser postas em prática, já que a escola era fruto do esforço de intelectuais para tornar real uma valorização dos moldes nacionais.

Lembremos que muitos conceitos sobre divulgação cultural que se disseminaram no Modernismo tiveram berço em outras escolas. Alguns autores no período do Pré-Modernismo já utilizavam uma linguagem mais próxima do falar cotidiano do homem brasileiro, já abordavam temas sobre a realidade do indivíduo que vivia nas áreas mais isoladas do país e tratava sobre os problemas que eles sofriam. Essa marca foi intensamente difundida na literatura modernista. E não podemos esquecer que foi no Romantismo que o conceito de literatura nacionalista surgiu, sob uma ótica idealizada com certeza, mas ainda assim foi o primeiro vislumbre da proposta utilizada pelos modernistas.

Não podemos deixar de dizer que a escola modernista produziu uma quantidade imensa de autores que se destacaram não só por tratarem de questões intimistas do espírito humano, assim como de problemáticas sociais como a guerra e a seca, tratando ainda da beleza do Brasil enquanto nação que abriga belas paisagens, belas mulheres e seres humanos dotados de força de renovação. É no Modernismo que se encontram presentes os eixos temáticos mais convenientes a serem tratados nas provas, por tratarem de questões que ainda são atuais e presentes. Daí a importância do estudo sobre esse período da literatura brasileira. O Enem, enquanto prova politizada, que busca a integração entre homem e sociedade, vai buscar nos textos de Guimarães Rosa, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond (só pra citar alguns) o conteúdo de suas questões, visto que o Modernismo refletiu com perfeição a imagem do brasileiro em suas múltiplas facetas. Que fique claro, no entanto, que saber tudo a respeito desse período não vai salvar sua vida: nada impede que a prova cobre, por exemplo, uma questão sobre Machado de Assis (que não foi menos importante que os demais citados). Portanto, procure ter um conhecimento, se não profundo, ao menos geral, a respeito de todas as escolas literárias brasileiras.

Ligue a TV, espere uma transmissão ao vivo do desfile de 7 de setembro e dê uma lida em Macunaíma. Você não estaria sendo mais patriota assistindo ao jogo da Seleção…

Grande abraço.

Tá certo falar ‘errado’?

Olá, molecada!

Aqui estou eu, às cinco e vinte da manhã, postando pra vocês. Como a essa hora ainda não começou o programa da Ana Maria Braga (e porque hoje é sábado), vamos conversar sobre variação linguística!! U-hu!!

Enem, talvez pelo seu caráter politizado, adora abordar questões sobre variação cultural e diferentes utilizações sociais da linguagem, como na prova de 2008, em que inúmeras questões tratavam justamente sobre esse tema (lembra da tirinha do Hagar?). Desta forma, acho legal que lembremos que existem inúmeras formas de uma mesma língua se manifestar numa sociedade e a isso damos o nome de variação linguística. Resumindo da melhor forma possível, esse fenômeno se dá toda vez que falantes da língua de diferentes classes sociais, idade, sexo, contexto, procedência geográfica, entre outros, precisam se comunicar e utilizam a língua considerando seus valores culturais de grupo e individuais. Assim, vemos num mesmo país – e até na mesma cidade ou bairro – pessoas que se valem de variedades mais ou menos valorizadas socialmente, o que nós classificamos como variedade padrãonão-padrão, respectivamente. Para as variedades menos prestigiadas, costumamos atribuir valores de ruimou errado, no entanto, desconsiderando o que eu ou você pensamos, devemos ter em mente que o objetivo máximo de qualquer língua é a transmissão da mensagem. Em seus dados contextos, a galera que utiliza ‘framengo’ em vez de flamengo na verdade está obedecendo à utilização social do meio em que vive.

Enquanto mecanismo comunicativo, devemos lembrar que a língua abarca inúmeras possibilidades de utilização e é importante que saibamos em qual contexto podemos ou não utilizar determinada palavra ou ideia, correndo o risco de não sermos compreendidos e pecando, assim, contra a máxima linguística citada anteriormente.

Ficamos por aqui hoje, mas volto em breve com maiores divagações sobre nosso amigo Enem.

Grande abraço.


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