Arquivo de fevereiro de 2012

Dicas: A ordem dos termos altera a frase

Olá, meus portumaníacos!

Coimo foi o carnaval? Pularam muito? Vou confessar que me diverti pacas!

Então, hoje nós vamos observar como alterar a ordem dos fatores modifica a frase. Parece que não, mas uma mensagem pode ser totalmente distorcida com pequenas alterações! Duvida? Vamos ver!

(1) Golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis), espécie de águas profundas,    encontrado no norte de ilha Comprida, litoral sul de São Paulo; animal foi removido já morto por biólogos do Projeto Boto-Cinza para análises

(2) Parte do corpo tão ligada à sedução e à sexualidade, o formato das mamas sempre esteve submisso à ditadura da moda.

No texto escrito, é importante observar a ordem dos termos na frase. Se na linguagem falada a entonação cria a ênfase necessária ao entendimento, na linguagem escrita a situação é diferente. É preciso empregar os recursos de ênfase e clareza próprios da escrita.

No texto (1), uma legenda de foto, a construção “animal foi removido já morto por biólogos” convida à dupla interpretação. Por mais que o leitor deduza que o animal não foi morto pelos biólogos, o texto permite essa leitura, portanto é defeituoso.

O que produz esse defeito é o fato de a expressão “por biólogos” vir depois de duas formas verbais, podendo estar ligada a qualquer uma delas (“removido por biólogos” ou “morto por biólogos”). A solução para o problema está na mudança de posição ou da expressão “por biólogos” ou de uma das formas verbais.

Se optássemos por aproximar “por biólogos” de “removido”, teríamos o seguinte:

“animal foi removido por biólogos do Projeto Boto-Cinza já morto para análises”

ou algo parecido:

“animal foi removido para análises por biólogos do Projeto Boto-Cinza já morto”

O problema dessas duas construções é que ambas deixam o complemento mais curto (“já morto”) depois de um elemento muito longo (“removido para análises por biólogos do Projeto Boto-Cinza”), o que não favorece a clareza.

O melhor, portanto, seria antecipar a forma verbal “morto”, e modo que ficasse distante do agente da passiva (“por biólogos”). Assim:

(1) Golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis), espécie que vive em águas profundas, encontrado no norte de Ilha Comprida, litoral sul de São Paulo; já morto, animal foi removido por biólogos do Projeto Boto-Cinza para análises

O segundo trecho apresenta um defeito comum: uma expressão de caráter predicativo aparece antes do sujeito ao qual se refere e faz referência não ao núcleo do sujeito, mas ao complemento dele.

Observe que a “parte do corpo tão ligada à sedução e à sexualidade” não é o formato das mamas, mas as mamas propriamente ditas. Assim, “mamas” deveria ser o núcleo do sujeito. Veja abaixo:

Parte do corpo tão ligada à sedução e à sexualidade, as mamas sempre tiveram seu formato submisso à ditadura da moda.

Do ponto de vista da concordância, o texto acima está correto, pois “as mamas” são uma parte do corpo. Não há, portanto, necessidade de plural (“partes”).
Entenderam? Qualquer dúvida, deixe um comentário ;)

Até mais!

(fonte Uol Educação)

Afinal, o que é ambiguidade?

Olá, meu povo!

Como foram de fim de semana? Estudaram muito? Olha só, vestibulando não tem direito a pular carnaval não, hein! Brincadeirinha, pode sim, mas só se tiver adiantando os estudos ao longo dessa semana…

Hoje vamos ver um tema recorrente no Enem que fala a respeito da Ambiguidade. Você sabe o que é? Sabe como evitá-la? Sabe quando usá-la? Veja só!

Em termos gerais, a palavra ambiguidade traduz a ocorrência de mais do que um sentido em palavras, frases, proposições ou textos.

Um exemplo-limite de ambiguidade, caso de verdadeiro exagero, é a frase:

Deixo os meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres.

O exemplo serve para mostrar como, ao escrever, deve-se estar atento à pontuação, de maneira a expressar o que realmente se deseja. No caso, o autor da frase teria deixado sérios problemas a seus herdeiros, pois as interpretações que o período permite são múltiplas. Vejamos:

Deixo os meus bens a minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

Deixo os meus bens a minha irmã? Não. A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

Deixo os meus bens a minha irmã? Não. A meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.

Deixo os bens a minha irmã? Não. A meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate? Nada. Aos pobres.

Deixo os meus bens? Não a minha irmã e a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaitate. Nada aos pobres.

O exemplo acima, contudo, é um caso extremo, que serve apenas como recurso didático. Há casos mais simples – e mais comuns -, que devem ser evitados ao redigir:

1. O cadáver foi encontrado perto do banco.

- Não sabemos se o cadáver foi encontrado perto de uma casa bancária ou ao lado de um banco de jardim. A ambiguidade nasce da palavra banco, que pode ser usada em diferentes acepções.

2. Pedro pediu a José para sair.

- Neste caso, a ambiguidade não nasce de uma palavra de duplo sentido, mas, sim, da própria estrutura da frase. Que ideia a frase expressa: a) Pedro pediu permissão a José para sair um pouco ou b) Pedro pediu a José que fizesse o favor de sair um pouco?

3. O advogado disse ao réu que suas palavras convenceriam o juiz.

- As palavras de quem convenceriam o juiz: do réu ou do advogado?

4. Crianças que comem doce frequentemente têm cáries.

- A posição do adjunto adverbial complica tudo na frase: as crianças têm cáries porque comem doce com frequência ou há mais probabilidade de ocorrerem cáries em crianças que comem doces?

Recurso estilístico

A ambiguidade, contudo, nem sempre é um erro de expressão ou um vício de linguagem. Em literatura, o texto pode ser polissêmico, ou seja, apresentar multiplicidade de sentidos.

O professor Berthold Zilly, tradutor de Machado de Assis na Alemanha, cita, em uma entrevista, exatamente essa qualidade do texto machadiano: “Ele [Machado de Assis] é notório pelas suas expressões e frases ambíguas. Há pouco, por exemplo, estive refletindo sobre uma frase do livro [Memorial de Aires]. O narrador diz: ‘Já tenho embarcado e desembarcado muitas vezes, devia estar gasto. Pois não estou’. O que ele quer dizer com ‘gasto’? Acostumado, cansado, insensível – acho que é por aí. Mas não é o sentido normal da palavra, não é o convencional. E ele reiteradamente usa palavras fora do seu sentido convencional. Praticamente a cada duas frases há uma dificuldade semelhante. Não se sabe também 100% o que ele quer dizer, há várias interpretações”.

Então, por hoje é só, meus queridos!

Até a próxima!

(fonte Vestibular Uol)

Resumo: Tem crase ou não tem?

Olá, meu povo!

Como está sendo essa primeira semaninha de aula? Cansativa, imagino…

Maaas, não vamos desanimar! Hoje vamos destruir de vez aquele velho fantasma que tanto atormenta vocês: o acento grave indicador de crase. Vamos aprender a usar de vez?

Até as 22h ou até às 22h?

O resultado das eleições será conhecido até as 22h“.

A maioria dos estudantes, ao escrever uma frase parecida com a apresentada no título, ficaria em dúvida quanto a colocar ou não o acento grave indicador de crase em “as 22h”. Acredito que colocariam o acento. E você, caro aluno, colocaria o acento grave ou não?

Vamos à explicação: o vocábulo crase provém do grego krâsis, cujo significado é ação de misturar, mistura de elementos que se combinam num todo. Para nós, é a contração da preposição a com os artigos definidos a, as ou com os pronomes demonstrativos a, as, aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo:

a + a = à
a + as = às
a + aquele = àquele
a + aqueles = àqueles
a + aquela = àquela
a + aquelas = àquelas
a + aquilo = àquilo

Vejamos alguns exemplos:

1. “Nunca obedeci àquele homem, pois não o respeito” (quem obedece, obedece a alguém);
2. “Assisti à peça teatral escrita por Mário Bortoloto” (quem assiste, no sentido de ver, assiste a algo);
3. “Não aspiro àquela vaga, mas à que foi ocupada por Oriolando” (quem aspira, no sentido de desejar muito, aspira a algo);
4. “Cheguei ao cinema às 19h50″ (chegar, ao indicar hora exata, exige a preposição a).

Ocorre, porém, que, em muitas situações, outra preposição é usada, e não o a. Quando isso ocorrer, não haverá o acento indicador de crase, em virtude da falta da preposição a. Vejamos alguns exemplos:

1. “Cheguei após as 7h”: não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição após;
2. “Estou aqui desde as 7h”: não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição desde.

Há, porém, uma preposição que admite a preposição a ao seu lado: é a preposição até. Vejamos alguns exemplos:

1. “Ontem, fomos até o parque caminhar” (ou até ao parque);
2. “Dormi até o meio-dia” (ou até ao meio-dia).

Tal combinação não é obrigatória; é, aliás, desnecessária. A combinação de até com a acontece com o objetivo de evitar ambigüidade, ou seja, evitar duplo sentido na frase, pois o vocábulo até, além de ser preposição, também pode ser advérbio com o sentido de inclusive. Às vezes, não há como saber qual dos dois foi usado.

Veja o seguinte exemplo:

“A enchente inundou o bairro todo, até a igreja”

Não dá para saber o sentido exato da frase. Há duas situações:

- A enchente inundou o bairro todo, mas não a igreja: chegou até ela e parou;
- A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja.

Se a primeira opção for a verdadeira, até é preposição; se for a segunda, advérbio. Caso a verdadeira seja a primeira opção, recomenda-se o uso da preposição a em combinação com até, evitando, assim, o duplo sentido: “A enchente inundou o bairro todo, até à igreja“.

Caso a verdadeira seja a segunda opção, recomenda-se o uso de inclusive: “A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja“.

A frase apresentada no início do texto não apresenta ambigüidade. Pode-se, portanto, usar o acento indicador de crase, mas não há necessidade dele.

Então, por hoje é só! Fiquem bem!

(fonte Uol Vestibular)

Resumo: Imperativo e Uniformidade de Tratamento

Olá, meus amigos!

Já conferiram a super promoção do DESCOMPLICA? Pacotes com 50% de desconto!!! Confira já, está acabando o prazo!

Hoje, vamos falar sobre o imperativo e a uniformidade de tratamento. Já domina esse assunto? Ainda não? Então, vambora que é danado para cair no vestibular!

Embora a palavra imperativo esteja ligada à ideia de “comando“, nem sempre usamos esse modo verbal para dar uma ordem. Quase sempre, nossa intenção, ao utilizar o imperativo, é estimular ou exortar alguém a cumprir a ação indicada pelo verbo. Mas também usamos o imperativo para proibir, rogar e convidar.

Os dois imperativos existentes em português, afirmativo e negativo, são utilizados somente em orações absolutas, em orações principais, ou em orações coordenadas, podendo exprimir:

a) ordem ou comando:

Cavem, cavem depressa!

(Luís Jardim)

b) exortação, conselho:

Não olhes para trás quando tomares

O caminho sonâmbulo que desce.

Caminha – e esquece.

(Guilherme de Almeida)

c) convite, solicitação:

Vinde ver! Vinde ouvir, homens de terra estranha!

(Olegário Mariano)

d) súplica:

Não me deixes só, meu filho!…

(Luandino Vieira)

e) sugestão de uma hipótese:

Suprima a vírgula, e o sentido ficará mais claro.

f) ordem:

Saiam da chuva, meninos!

Observação: devemos levar em conta que as ideias expressas pelo imperativo dependem não só do significado do verbo, mas também do contexto em que a frase é falada (ou lida); e, também, da entoação que se dá às palavras. A depender do tom da voz, o que, aparentemente, é um comando, pode se transformar em súplica.

Uniformidade de tratamento

Na língua portuguesa falada no Brasil – ou seja, na linguagem coloquial brasileira -, o pronome você praticamente derrotou o tu. Muitas vezes, no entanto, as duas formas de tratamento se misturam na frase, causando erro, o que se torna cada vez mais comum quando utilizamos o modo imperativo.

Vejamos, por exemplo, esta frase:

“Faze para ti e seus filhos uma casa na parte mais alta da colina”.

O pronome ti (forma que o pronome tu assume em alguns casos) corresponde, corretamente, ao verbo fazer, usado na 2ª pessoa do imperativo afirmativo (faz, faze tu). O mesmo não ocorre, entretanto, com o pronome seus (que corresponde à 3ª pessoa).

Dessa forma, para que haja uniformidade de tratamento, devemos colocar toda a frase ou na 2ª pessoa, ou na 3ª. Assim:

“Faze para ti e teus filhos uma casa na parte mais alta da colina”. (2ª pessoa)

“Faça para você e seus filhos uma casa na parte mais alta da colina”. (3ª pessoa)

Não esqueça: em vestibulares, provas e concursos, exige-se sempre o conhecimento da norma culta (formal, erudita) da língua – e não a norma informal, que usamos no dia a dia.

Então, pessoal, por hoje é só!
Até mais!
(fonte Uol Vestibular)


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