Resumo: Funções da palavra QUE II

Olá, meus amigos!

Conforme o prometido, aqui vai a continuação do post anterior, falando sobre as funções da palavra QUE. Boa leitura!

- A conjunção QUE

O QUE pode ser conjunção coordenativa ou subordinativa.

- Conjunção coordenativa

Como conjunção coordenativa, a palavra QUE liga orações coordenadas, ou seja, orações sintaticamente equivalentes.

- Aditiva

Liga orações independentes, estabelecendo uma seqüência de fatos. Neste caso, o QUE não tem valor bastante próximo de conjunção e.

Ex1: Anda que anda e nunca chega a lugar algum.

Ex2: Fica lá o tempo com aquele chove que chove…!

- Explicativa

A oração coordenada explicativa aponta a razão de se ter feito a declaração contida em outra oração coordenada. Quando introduz esse tipo de oração, o QUE tem valor próximo ao da conjunção pois.

Ex1: Mantenhamo-nos unidos, que a união faz a força.

Ex2: Deixe, que os outros pegam.

- Adversativa indica oposição, ressalva, apresentando valor equivalente a mas.

Ex1: Outro, que não eu, teria de fazer aquilo.

Ex2: Outro aluno, que não eu, deveria falar-lhe, professor!

- Conjunção subordinativa

A conjunção QUE é subordinativa quando introduz orações subordinadas substantivas e adverbiais. Essas orações são subordinadas porque desempenham, respectivamente, funções substantivas e adverbiais em outras orações ( chamadas principais ).

- Integrante

O  QUE é conjunção subordinativa integrante quando introduz oração subordinada substantiva.

Ex1: “E ao lerem os meus versos pensem que eu sou qualquer coisa natural.”( Alberto Caeiro)

Ex2: Parecia-me que as paredes tinham vulto.

- Causal

Introduz as orações adverbiais causais, possuindo valor próximo a porque.

Ex1: Fugimos todos, que a maré não estava pra peixe.

Ex2: Não esperaria mais, que elas podiam voar

- Final

Introduz orações subordinadas adverbiais finais, equivalendo a para que, a fim de que.

Ex1: “…Dizei que eu saiba.” ( João Cabral de Melo Neto)

Ex2: Todos lhe fizeram sinal que se calasse.

- Consecutiva

Introduz as orações subordinadas adverbiais consecutivas.

Ex1: A minha sensação de prazer foi tal que venceu a de espanto.

Ex2: “Apertados no balanço Margarida e Serafim Se beijam com tanto ardor Que acabam ficando assim.” ( Millôr Fernandes)

- Comparativa

Introduz orações subordinadas adverbiais comparativas.

Ex1: Eu sou maior que os vermes e todos os animais.

Ex2: As poltronas eram muito mais frágeis que o divã.

- Concessiva

Introduz orações subordinada adverbial concessiva, equivalente a embora.

Ex1: Que nos tirem o direito ao voto, continuaremos lutando.

Ex2: Estude, menino, um pouco que seja!

- Temporal

Introduz oração subordinada adverbial temporal, tendo valor aproximado ao de desde que.

Ex1: “Porém já cinco sóis eram passados que dali nos partíramos.” ( Camões)

Ex2: Agora que a lâmpada acendeu, podemos ver tudo.

Então, pessoal, por essa semana é só! Deixe seu comentário! Adoraremos saber sua opinião sobre os post, o blog…

Até semana que vem!

Resumo: Funções da palavra QUE I

Olá, meu povo!

Como andam os estudos? Nessa preparação inicial, a equipe Desconversa considera fundamental apresentar aquelas questões mais simples, mas que sempre nos geram dúvidas, como o uso da palavra “QUE” e quais funções ela pode desempenhar. Pensando nisso, separamos um post super completo do site Mundo Vestibular. Vamos começar?

A palavra QUE pode pertencer a várias categorias gramaticais, exercendo as mais diversas funções sintáticas. Veja abaixo quais são essas funções e classificações.

- Advérbio

Intensifica adjetivos e advérbios, atuando sintaticamente como adjunto adverbial de intensidade. Tem valor aproximado ao das palavras quão e quanto.

Ex1: Que longe está meu sonho!

Ex2: Os braços… Oh! Os braços! Que bem-feitos!

- Substantivo

Como substantivo, tem o valor de qualquer coisa ou alguma coisa. Nesse caso, é modificado por um artigo, pronome adjetivo ou numeral, tornando-se monossílabo tônico ( portanto, acentuado). Pode exercer qualquer função sintática substantiva.

Ex1: Um tentador quê de mistério torna-a cativante.

Ex2: “Meu bem querer tem um quê de pecado…” ( Djavan) Também quando indicamos a décima sexta letra do nosso alfabeto usamos o substantivo quê.

Ex : Mesmo tendo como símbolo kg, a palavra quilo deve ser escrita com quê.

- Preposição

Equivale à preposição de ou para, geralmente ligando uma locução verbal com os verbos auxiliares ter e haver. Na realidade, esse QUE é um pronome relativo que o uso consagrou como substituto da preposição de.

Ex1: Tem que combinar? (= de)

Ex2: Amanhã, teremos pouco que fazer em nosso escritório. (= para) Além disso, a partícula QUE atua como preposição quando possui sentido próximo ao de exceto ou salvo.

Ex : Chegara sem outro aviso que seu silêncio inquietante.

- Interjeição

Como interjeição, a palavra QUE (exclamativo) também se torna tônica, devendo ser acentuada. Exprime um sentimento, uma emoção, um estado interior e, equivale a uma frase, não desempenhando função sintática em oração alguma.

Ex1: Quê! Você por aqui!

Ex2: Quê! Nunca você fará isso!

- Partícula expletiva ou de realce

Neste caso, a retirada da palavra QUE não prejudica a estrutura sintática da oração. Sua presença, nestes contextos, é um recurso expressivo, enfático.

Ex1: Quase que ela desmaia!

Ex2: Então qual que é a verdade? Obs: Pode aparecer acompanhado do verbo ser, formando a locução é que.

Ex: Mas é que lá passava bonde.

- Pronome relativo

O pronome relativo refere-se a um termo (por isso mesmo chamado de antecedente), substantivo ou pronome, ao mesmo tempo que serve de conectivo subordinado entre orações. Geralmente, o pronome relativo introduz uma oração subordinada adjetiva, nela desempenhando uma função substantiva. Neste caso, pode ser substituído por qual, o qual, a qual, os quais, as quais.

Ex1: João amava Teresa que amava Raimundo.

Ex2: Às pessoas que eu detesto diga sempre que eu detesto.

- Pronome indefinido substantivo

Quando equivale a “que coisa“.

Ex1: Que caiu?

Ex2: A fantasia era feita de quê?

- Pronome indefinido adjetivo

Quando, funcionando com adjunto adnominal, acompanha um substantivo.

Ex1: Que tempo estranho, ora faz frio, ora faz calor.

Ex2: Que vista linda há aqui!

- Pronome substantivo interrogativo

Substitui, nas frases da língua, o elemento sobre o qual se deseja resposta, exercendo sempre uma das funções substantivas, significando que coisa.

Ex1: Que terá acontecido? (= que coisa)

Ex2: Que adiantaria a minha presença? (= que coisa)

- Pronome adjetivo interrogativo

Acompanha os substantivos nas frases interrogativas, desempenhando função de adjunto adnominal.

Ex1: Que livro você está lendo?

Ex2: “Por aquela que foi tua, que orvalho em teus olhos tomba?” ( Cecília Meireles)

Obs: Caso semelhante (o qual não figura entre os tipos de pronomes registrados pela NGB) ocorre em frases exclamativas. Nesse caso, teríamos um pronome adjetivo exclamativo, sintaticamente atuando como adjunto adnominal.

Ex1: Que poema acabamos de declamar!

Ex2: Meu Deus! Que gelo, que frieza aquela!

Então, pessoal, no próximo post, veremos a palavra QUE como conjunção subordinativa e coordenativa. Não percam!

Dúvidas? Deixe sua pergunta nos comentários ou no Perguntas e Respostas que os nosso monitores terão o prazer em responder!

Até mais!

Resumo: eu ou mim?

Olá, pessoal!

Para hoje, a equipe Desconversa separou um resuminho sobre o emprego dos pronomes eu e mim. Parece fácil, mas muita gente ainda se enrola com eles… Então, nada melhor que começar o ano tirando essas dúvidas pequenas… O texto foi retirado do site Mundo Vestibular. Não perca tempo, leia e aprenda tudinho!

O emprego dos pronomes eu e mim. Apesar de simples, o emprego dos pronomes eu e mim ainda pega a moçada pelo pé.Veja o exemplo:

a. Depois da reunião, fiquei na sala. O professor deixou um texto para eu ler.

b. Depois da reunião, fiquei na sala. O professor deixou um texto para mim ler.

A grande vilã é a preposição para. Ela adora armar ciladas. Nós, desatentos, entramos na dela como patinhos recém-saídos da casca do ovo. Depois, na hora de conferir o gabarito, a ficha cai. Adeus, preciosos pontinhos! O remédio? Nada melhor que a prevenção. No caso, refrescar a memória.

— Mim ou eu?, provocava o professor brincalhão.

E completava:

— Lembrem-se: mim não faz nem acontece.

A explicação não deixava dúvidas:

— O pronome mim tem fobia ao isolamento. Anda sempre – sempre mesmo – acompanhado de preposição. Pouco seletivo, aceita qualquer uma de braços abertos e coração em festa:

Dirigiu-se a mim. Jurou inocência ante mim e os demais amigos.

Paulo depôs contra mim.Revelou o segredo só para mim.

Confirmou tudo perante mim. Não há nada entre mim e o diretor.

O eu joga em outro time. Pertence à equipe dos autosuficientes. Todo-poderoso, escolheu para si a função de sujeito. Para não deixar dúvida, registrou a posse em cartório.Veja exemplos: O diretor deixará o relatório para eu redigir (quem redige? Eu, sujeito). Pediu para eu responder à carta (quem responde? Eu, sujeito).Deixou os filhos para eu cuidar (quem cuida? Eu, sujeito).

Viu? Diante da preposição para, abra os olhos e afine os ouvidos. Ela introduz uma oração reduzida de infinitivo? Se a resposta for sim, o pronome vem seguido de verbo (no infinitivo, claro). É o caso da questão do simulado: O professor deixou um texto para eu ler.

PARECE, MAS NÃO É

Há uma construção pra lá de ardilosa. Parece viciada, mas não é. Ela lança mão de recurso legítimo da língua — mudar de lugar na oração. Os pouco atentos imaginam que se trata do tal mim que faz e acontece. Falso. Veja a construção da armadilha:

Ler é fácil para mim.

Para mim ler é fácil.

Viu? Os períodos estão certinhos da silva. Mas muitos, numa primeira leitura, poderão considerar o mim sujeito. Como evitar a confusão? A vírgula ajuda: Para mim, ler é fácil.

É isso. Aplica-se à língua a regra aplicada à mulher de César. A primeira-dama dos romanos não só tinha de ser honesta. Tinha de parecer honesta. A língua não só tem de ser correta. Tem de parecer correta.

Então, pessoal, por essa semana é só! Até mais!

DESCOMPLICANDO A 2ª FASE DA UFF

E aí, galera?

Feliz Ano novo!!! Para começar bem o ano, vamos descomplicar juntos todas as questões da prova específica de Português e Literatura da UFF 2012! Vocês podem baixar a prova no site do vestibular da UFF.

1ª QUESTÃO

A primeira questão pedia para identificar no texto aspectos da crítica social que se tornou marca da ficção pré-modernista de Lima Barreto.

Diversos elementos do texto exemplificam essa atmosfera de crítica social:

*a descrição da casa “A nossa casa frágil parecia que, de um momento para outro, ia ser arrasada.”

*a caracterização da mãe –“ Eu devaneava e ia-lhe vendo o perfil esquálido, o corpo magro, premido de trabalhos, as faces cavadas com os malares salientes, tendo pela pele parda manchas escuras,como se fossem de fumaça entranhada.”

*o descompasso entre a inteligência do narrador e sua condição social – Supus que adivinhava os perigos que eu tinha de passar; sofrimentos e dores que a educação e inteligência, qualidades a mais na minha frágil consistência social, haviam de atrair fatalmente. Não sei que de raro, excepcional e delicado, e ao mesmo tempo perigoso, ela via em mim, para me deitar aqueles olhares de amor e espanto, de piedade e orgulho.”

2ª QUESTÃO

A segunda questão pedia para retirar um período de cada texto que exemplificasse o modo de retratar a identidade a partir de dúvidas e indagações.

Do texto 1, poderiam ser extraídos qualquer um dos dois períodos que relatam a percepção do narrador segundo a ótica da mãe.

- Supus que adivinhava os perigos que eu tinha de passar; sofrimentos e dores que a educação e inteligência, qualidades a mais na minha frágil consistência social, haviam de atrair fatalmente.

- Não sei que de raro, excepcional e delicado, e ao mesmo tempo perigoso, ela via em mim, para me deitar aqueles olhares de amor e espanto, de piedade e orgulho.”

Do texto 2, poderiam ser extraídos qualquer um dos três períodos nos quais o eu-lírico indaga a sua própria identidade.

- “TEIA de aranha, galho seco da roseira,/quem sou?”

-“Luz calçada em alpargatas de prata/rapta as flores da fronha,/quem sou?”

- “Pássaro que mora na neblina/destila seu canto de água limpa/- longe, sozinho –/me diga quem sou.”

3ª QUESTÃO – letra a

A questão pedia para comentar o efeito criado pela sequência de verbos em relação ao comportamento da personagem mãe, na passagem:

“Minha mãe ia e vinha de um quarto próximo; removia baús, arcas; cosia, futicava.” (linhas 2-3)

A partir da leitura do texto é possível perceber que para o narrador, a mãe estava aflita e nervosa diante dos perigos que o filho poderia enfrentar e a sequência de verbos usada serve justamente para reforçar essa caracterização da personagem – por estar tão nervosa e aflita a mãe realiza diversas ações seguidas.

3ª QUESTÃO – letra b

A questão pedia para explicar a relação entre a escolha dos adjetivos e locuções adjetivas e a caracterização dos sentimentos experimentados pela mãe em relação ao filho, na seguinte passagem:

“Não sei que de raro, excepcional e delicado, e ao mesmo tempo perigoso, ela via em mim, para me deitar aqueles olhares de amor e espanto, de piedade e orgulho.”

(linhas 8-9)

Os adjetivos e locuções adjetivas presentes no período são antagônicos e representam as contradições e ambiguidades do sentimento materno, uma vez que a percepção podia ser ao mesmo tempo delicada e perigosa e os olhares de amor e espanto e/ou de piedade e orgulho.

As duas últimas questões da prova ficam para o próximo post!


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