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5 livros para uma redação melhor

Seguindo a série “lista de recomendações“, a da vez é de 5 livros que podem ajudar você a escrever uma redação melhor. Não, isso não vai ser feito de forma óbvia, é bom deixar claro.

Preferi escolher títulos que não fossem técnicos, como manuais e afins, mas que trouxessem ganhos para a sua escrita e/ou para o seu conteúdo. Ou seja, é algo maior do que um “escreva assim que você tira dez”.

Ah, e para não soar óbvio demais, suprimi clássicos da literatura universal. Esses você descobre fácil em qualquer lista de 100 melhores por aí, vai…

1. Como escrever um conto (Gabriel Garcia-Marquez, ed. Casa Jorge)

O escritor Gabriel García Marquez publicou em livro o resultado do seu trabalho junto a dez roteiristas, na oficina cubana de roteiros que leva seu nome. Ainda que mais voltados para o cinema, os ensinamentos dados aqui por um dos maiores autores vivos são preciosos e podem funcionar como uma grande ajuda para o desenvolvimento da sua redação. Talvez você tenha que procurar bastante por aí, mas vale o sacrifício.

2. Talvez eu não tenha vivido em vão (Fabio Cyrino (org.), ed. Landmark

Reunião de frases ditas por pessoas de grande importância para a história da humanidade em seu último momento de vida. Pode parecer meio mórbido, mas além de ter momentos absurdamente inspirados, o livro ainda traz um pequeno resumo de quem foi a pessoa e em que contexto ela morreu/foi morta. É bagagem cultural, sem dúvidas, e ainda pode ser lido de forma aleatória, sem seguir a ordem das páginas.

3. Lavoura Arcaica (Raduan Nassar, ed. Ateliê Editorial)

Único romance da lista, uma das grandes obras brasileiras da contemporaneidade. Além da belíssima história, a opção estilística do autor, omitindo os sinais de pontuação, causa um efeito atordoante em que lê. Para você aprender que não é todo mundo que pode não usar pontuação e descobrir por que seu professor sempre reclama quando você esquece as vírgulas.

4. Achei que meu pai fosse Deus (Paul Auster (org.), ed. Companhia das Letras)

Antologia de histórias contadas por pessoas comuns e apresentadas em um programa mensal de rádio pelo escritor norte-americano Paul Auster. Dos mais de quatro mil textos recebidos, no livro se encontram alguns dos relatos curtos e verdadeiros, feitos por pessoas de várias idades, classes e credos. Para aprender que qualquer um é capaz de dizer algo se tiver a motivação certa.

5. Farmácia de Pensamentos (Sonia Aguiar, ed. Relume Dumará)

O livro só é encontrado em sebos atualmente, mas o site (www.farmaciadepensamentos.com) continua no ar, e se propõe ao mesmo fim: fornecer um compêndio de pensamentos para, segundo a descrição, “curar os males da alma”. Desconsiderando o lado auto-ajuda, funciona como uma bela fonte de citações com autoria correta, algo raro de se encontrar por aí.

Agora, se sua busca é por livro técnico mesmo, a dica é uma só: Comunicação em prosa moderna, Othon Moacyr Garcia, ed. FGV. Não tem como errar.

Bons estudos e até a próxima!

Os mitos da escrita

Olá!

Como sabemos, a prova de redação costuma ser uma das mais temidas em qualquer vestibular país afora, além de ser o terror das séries do ensino fundamental e médio. Por detrás disso, milhares e milhares de justificativas simplistas e mitos que, de tão repetidos, soam como mantras e adquirem status de verdades absolutas. Porém, para sermos bem honestos,  há muito menos dificuldade em produzir um texto do que supõe nossa vã filosofia de botequim.

Dentre as justificativas mais usuais para esse medo, muito me diverte aquela que diz que “eu não tenho inspiração”.  Ora, convenhamos, inspiração para uma redação? Tudo bem, isso faria total sentido ao pensarmos em um texto cujo tema seja livre ou em historinhas que temos que criar quando estamos no ensino fundamental (e onde sempre colocamos amigos da sala como heróis e a menina com quem queremos sair como a pessoa a ser salva). Contudo, para o vestibular, essa desculpa não cola. Primeiro, porque os limites do texto são dados claramente – afinal, critérios precisam ser estabelecidos para criarmos um mínimo de igualdade. Segundo, porque qualquer ser humano sabe que, em uma situação de prova, o menos provável é que um aluno tenha calma para poder se inspirar.  Então, não faria sentido valorizar apenas aquele que tenha uma idéia divina. Caso contrário, acredite, ficaria muito difícil dar uma nota alta.

Outra afirmação que me fascina é a “eu não nasci para escrever”. Veja que curioso: parece que os alunos, de maneira geral, acreditam que os avaliadores estão à procura de um novo Machado de Assis ou Guimarães Rosa.  Relaxa, amigo, não é para tanto. Na verdade, o que os corretores e professores esperam, na maior parte das vezes, é se deparar com um texto cujas idéias sejam bem expressas e apresentem coerência entre si e em relação ao mundo. Nada de grandes devaneios poéticos ou eventos mirabolantes, portanto. Estamos diante de textos que precisam se adequar a determinados parâmetros e que serão julgados a partir deles, nada mais do que isso. Tanto é que os poucos alunos que, realmente, têm gosto pela escrita além da produção de uma redação, com muita freqüência enrolam-se mais para produzir um texto de prova do que os outros que se acostumam ao modelo pedido. Isso porque, para quem costuma escrever sem tantas regras, adequar-se a elas pode virar um imenso problema. Nada melhor, pois, do que você já aprender se acostumando às exigências dadas.

Na verdade, se observarmos bem, o processo de escrita da disciplina redação em muito lembra o estudo das demais matérias. Não à toa, é uma disciplina. Isso significa dizer que, de uma boa nota, resultam muito mais os trabalhos de prática, concentração e dedicação do que, propriamente, uma condição natural de escritor. Ou, como se fala muito por aí, mais transpiração do que inspiração. Entender essa idéia significa pensar o texto como um exercício cuja repetição da feitura leva à perfeição. E, por isso mesmo, saber reconhecer falhas e encontrar os passos para se criar uma redação nota dez é tarefa que se faz aos poucos e em partes. A partir de agora, é assim que tentaremos trabalhar com vocês.

Assim, traremos nesse blog um pouco daquilo que é necessário para um bom texto: idéias de temas, dicas de produção textual, recomendações de leitura, discussões de assuntos, análise de redações… enfim, a base formadora de um aluno crítico, consciente. Esperamos que você faça desse espaço um aliado, e não mais um lugar onde lê coisas chatas e obrigações escolares.

Até a próxima!


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