Posts com a Tag ‘redação sobre educação’

Não se esqueçam da coesão!

Pessoal,

Há um tempo eu falei aqui sobre coesão e coerência. No entanto, como estamos no módulo “desenvolvimento“, esse assunto não pode passar batido. Entendam sempre que a coerência é a ligação lógica de idéias em um texto, e ela depende diretamente da coesão. Ou seja, um texto com problemas coesivos, como conectivos usados de forma equivocada, provavelmente, também terá problemas de coerência, dificultando o entendimento por parte do leitor. E se o leitor não entende o seu texto e suas idéias, não tem como vocês tirarem uma boa nota. Entenderam a importância?

Bem, vamos lá! A coesão é a responsável pelo plano formal do texto. Ou seja, é a correta ordenação de idéias de maneira formal e gramatical. Para isso, temos que lançar mão de recursos coesivos, que são inúmeros, como pronomes, advérbios, sinônimos, entre outros. Além de retomar ou antecipar idéias do texto (coesão referêncial), é preciso estabelecer um encadeamento lógico de idéias (coesão sequencial). E não se esqueçam: um dos maiores erros coesivos é a repetição de palavras! Para isso, tais recursos coesivos devem ser usados.

Alguns conectivos são muito usados em parágrafos de desenvolvimento, como “Em primeiro lugar”, “Além disso”, “Por fim”… e na conclusão: “Portanto”, “Dessa maneira”, “Assim, sendo”, entre outros. Eles são muito importantes para estabelecerem “ganchos” semânticos, e garantirem a continuação do raciocínio.

Hoje terminamos o módulo “desenvolvimento”. No próximo post, começo a falar sobre a conclusão! Até lá!

O desenvolvimento – Recursos Argumentativos

Oi, gente!

Vocês têm praticado a dissertação? Lembrem-se sempre disto: em redação, não basta saber a teoria, tem que praticar!

O post de hoje é extremamente importante! Já disse várias vezes que o desenvolvimento é a parte mais especial da sua dissertação, pois é nela que temos a oportunidade de convencer o leitor, e garantir uma boa nota. Sendo assim, trouxe hoje os três principais recursos argumentativos. Como fiz com a introdução, sugiro que vocês escolham aquele que mais funcionar para cada um, e trabalhem bastante em cima dele.

Argumentos de Autoridade – neste tipo, o candidato devem citar um pensamento ou frase de de alguma autoridade no assunto que está sendo discutido. Isso garante certa credibilidade à argumentação, pois mostra que há algo comprovado (ou que é bem visto)  que corrobora com o argumento do candidato.

Argumentos por Ilustração – O uso de exemplos em um argumento serve, principalmente, para comprovar a tese do candidato. Ou seja, ele mostra que aquela ideia que ele defende não fica só na teoria, ela, de fato, acontece no mundo “real”. No entanto, é preciso ter cuidado: Não se deve fazer um parágrafo inteiro somente com um exemplo, pois isso seria tangenciar o tema. O ideal é deixá-lo para o último período do parágrafo.

Argumento por Prova Concreta – esse recurso é bastante eficaz, se usado com correção. Nele, o candidato faz uso de dados estatísticos, leis, definições do dicionário e fatos dee conhecimento público para argumentar. Como se baseia na realidade, é eficaz porque dá força à ideia defendida.

Em breve, eu volto mostrando alguns exemplos de parágrafos de argumentação que fazem uso desses recursos.

Até lá!

Redação Pronta – Unicamp 2011

Olá, vestibulandos!

Já que entramos, em definitivo, no módulo “Desenvolvimento em Dissertações“, trago hoje uma redação pronta de um dos mais importantes vestibulares do país: a Unicamp. No ano passado, a banca deu aos candidatos três opções de temas. Mostro, neste post, uma delas. Na prova, o vestibulando devia observar um gráfico que mostrava a permanência e as mudanças de valores de uma geração para, a partir disso, desenvolver uma dissertação argumentativa sobre este tema: “Os Valores de Uma Geração”. Confiram!

INFLUÊNCIA DO MEIO

Quando o assunto é a mudança ou permanência dos valores de uma geração, é muito comum que o saudosismo impere, e que se ouça dos mais velhos o quanto a juventude atual é pior do que a antecessora. No entanto, se analisarmos bem a contemporaneidade, o velho clichê “na minha época, as coisas eram diferentes” dá lugar à certeza de que nem tudo mudou para a pior. Na verdade, pesquisas feitas recentemente mostram que o jovem, hoje em dia, se encontra plenamente consciente do mundo que o cerca, e não perdeu os valores de outrora, como é tão corriqueiro acusar. É claro que mudanças ocorreram, pois a realidade circundante é extremamente dinâmica, mas é necessária, sim, uma análise mais aprofundada sobre a questão.

Quanto às mudanças, elas mostram como a filosofia do jovem contemporâneo se inverteu. A pesquisa mostra que, em 2008, aumentou o número de jovens que priorizam sua independência financeira, em relação a 1999. Nesse mesmo período de tempo, caiu a porcentagem daqueles cujo objetivo maior é se divertir e aproveitar a vida. Isso mostra uma nova e ampla noção dessa juventude sobre a realidade circundante, pois em um mundo onde o mercado de trabalho é cada vez mais competitivo e acirrado, é preciso mesmo ter em mente a necessidade de focar no crescimento pessoal, a fim de garantir a própria sobrevivência, deixando o exacerbado carpe diem de outrora em segundo plano.

No entanto, é preciso atentar para o fato de que os jovens, na contemporaneidade, ainda prezam valores tradicionais, como o desejo de viver em uma sociedade mais segura e o de constituir uma família. Isso evidencia que, talvez levemente perdido em um mundo tão dinâmico, ou temendo que o individualismo que o cerca na realidade pós-moderna o arraste para uma velhice solitária, essa juventude atual se agarre aquilo que há de mais sagrado, confortável, e seguro.

Dessa forma, é possível percebermos que, embora seja preciso fugir de um determinismo quase darwinista, é muito válido pensar que o jovem – como a maior parte dos seres humanos – procura se adaptar à realidade que o cerca da melhor forma possível. É certo que, hoje, a demanda e as exigências profissionais são maiores e mais cruéis, logo, o fato de a juventude valorizar o crescimento profissional e a estabilidade financeira só mostra o discernimento da mesma com relação à sua própria sobrevivência. Existem valores, todavia, que nunca mudam, e a estabilidade familiar é um deles. Só nos resta torcer para que, daqui a alguns anos, quando esta pesquisa for feita novamente, somente um valor estável mude de fato: que não precise mais haver o desejo de viver em uma sociedade segura, e sim a realidade e o prazer desta tão sonhada realidade.

Redação Pronta – Fuvest 2011

Olá!

Hoje venho com uma redação pronta, de um dos vestibulares mais importantes do país, a Fuvest. No concurso 2011, a banca pediu que os candidatos argumentassem sobre o seguinte tema: “O altruísmo e o pensamento à longo prazo ainda têm lugar no mundo contemporâneo?”. Confiram:

ÓRBITAS SOLITÁRIAS

Basta entrar em qualquer livraria das grandes capitais para encontrarmos prateleiras preenchidas com Best Sellers que contam histórias vitoriosas dos grandes líderes mundiais. São trajetórias de vida inspiradoras, de homens e mulheres que estabeleceram e sustentaram verdadeiros impérios. No entanto, a grande maioria diz respeito a histórias individuais de pessoas que, sozinhas, conseguiram vencer na vida, tendo que passar por diversas barreiras e obstáculos. É raro presenciarmos trajetórias de grupos vencedores, ou de pessoas que foram ajudadas por outras, por livre e espontânea vontade. O altruísmo e o pensamento a longo prazo perdem cada vez mais espaço no mundo contemporâneo

Em primeiro lugar, é coerente dizer que um dos traços mais marcantes da sociedade contemporânea é o individualismo. Mais do que uma característica inerente ao ser humano, isso é algo praticamente exigido pela realidade capitalista circundante, na qual o mercado de trabalho competitivo e ferrenho faz com que pensemos muito mais em nossos próprios benefícios, crescimento e status pessoais, do que naquele que está ao nosso lado. Tal fato abrange não só os relacionamentos pessoais mais próximos, como também nosso comportamento frente às maiores calamidades mundiais, o que faz com que olhemos através da tela da televisão desgraças em todo o planeta e continuemos a viver nossas vidas. Longe dos olhos e do coração.

Entretanto, há aqueles que defendem que o altruísmo ainda é algo presente na realidade circundante. Fato é que existem inúmeras ONGS e trabalhos sociais em todo o planeta, bem como projetos para salvar a mata atlântica, curar a AIDS e diminuir a pobreza. Tais defensores podem exemplificar isso ao comentar sobre a ajuda global aos desabrigados no Haiti, e os diversos documentários sobre aquecimento global, alertando a humanidade para o perigo iminente.

No entanto, todas essas medidas são paliativas, uma vez que, como não temos pensamento a longo prazo, deixamos os problemas acontecerem e tomarem proporções absurdas para, só então, tomarmos uma atitude. Tais fatos só evidenciam ainda mais o imediatismo tão comum a todos na atualidade, pois a preocupação só surgiu quando a situação se tornou alarmante.

Dessa forma, podemos perceber que, embora seja radical afirmar que o altruísmo e o pensamento a longo prazo não têm mais lugar no mundo contemporâneo, não se pode negar que eles são características pontuais e, por vezes, raras e escassas. É exigido de cada indivíduo uma demanda pessoal enorme, o que faz com que, muito além de nossa vontade, não tenhamos tempo para pensarmos em mais nada. Somente com abstração e senso de responsabilidade social deixaremos de olhar para o próprio umbigo, e percebermos que há um mundo inteiro precisando da ajuda de cada um.


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