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Redação – Dicas de temas

Olá!

Muita gente tem me pedido dicas de temas que possam cair no vestibular. Se eu fosse muito cruel, responderia simplesmente “tudo que existe no mundo” e seguiria em frente. Afinal, não é menos do que a verdade o fato de que as bancas têm uma gama imensa de possibilidades, excluindo aí apenas as questões polêmicas demais, como religião, morte consentida e afins. No entanto, sei que essa resposta não é suficiente, então vamos fazer de outra forma. Que tal tentarmos mapear o que pode virar tema? Talvez seja mais útil do que sair em uma caça às bruxas desenfreada. Vejamos 3 dicas que, se não são infalíveis, podem servir ao menos como termômetros.

1)

Observe as revistas semanais com atenção. Veja os temas recorrentes, compre e guarde as que parecem ser mais interessantes. Se o assunto é de interesse nacional, há grandes chances de virar tema. Em compensação, tópicos que sempre aparecem, como corrupção política e meio ambiente, já são bem batidos.

2)

Repare nas discussões culturais do ano. Por exemplo: quando a UFRJ colocou o tema “o cinema como prática social”, o ano tinha sido da polêmica do filme Tropa de Elite. Em compensação, no ano passado, muito se falou sobre os 50 anos da Bossa Nova, mas a obviedade esgotou as chances de tema.

3)

Fique atento às páginas das universidades. Vez por outra elas apresentam entrevistas sobre pontos relevantes da sociedade e/ou artigos com posições a respeito de discussões que interessam à comunidade. Se alguma recorrência for observada, pode ser que não seja à toa.

Como comentário final, muitos dizem por aí que as datas comemorativas são fontes inesgotáveis de temas. De repente, até têm razão. Por isso, não custa fazer uma busca no que pode ser importante para o seu ano de vestibular.

Bons estudos!

Construindo o entendimento

Sei que prometi um post sobre a importância do olhar consciente, mas resolvi adiar essa tarefa, pelo menos provisoriamente. Essa decisão surgiu quando, ao longo dessa semana, conversando com alguns alunos, pude perceber que alguns traziam como problema maior o fato de, muitas vezes, não conseguirem entender o que está sendo pedido em um tema de redação ou mesmo o que determinados textos (sejam eles verbais, não-verbais ou híbridos) produzem quanto ao seu significado. A verdade é que a leitura de um texto, de maneira geral, pode se tornar um grande complicador para a feitura de uma boa redação, em especial se pensarmos em uma estrutura-padrão de tema que é composta de uma coletânea e de uma proposta em si. Dessa forma, estipularei aqui três passos que podem ajudar a, se não eliminar, pelo menos reduzir as dificuldades de entendimento no ato de ler.

Passo 1: Identificar marcas contextuais

Provalvemente você já deve ter reparado, ao longo de sua vida, que os lugares, as épocas e os autores traduzem determinados paradigmas textuais. Por isso, a primeira coisa a ser feita para uma boa leitura é depreender tudo que cerca o texto. É só analisar: um texto escrito em 1930, nos Estados Unidos, sobre economia tende a ter um peso diferente de um que tenha sido feito em 1969 no Brasil, tratando do mesmo assunto. Da mesma forma, um texto de autoria de Álvares de Azevedo carregaria um perfil específico que o diferenciaria de um feito por Monteiro Lobato, mesmo que ambos resolvessem buscar, hipoteticamente, falar do mesmo assunto. Repare, apenas, que isso não é uma regra, pois um autor pode perfeitamente fugir aos seus padrões ou um texto pode soar “atemporal”. Machado de Assis, por exemplo, foi mestre em (se) reinventar. O que importa é que você entenda que tais mecanismos podem significar uma ajuda, mas não há nenhuma garantia de que eles são o suficiente para o sucesso da leitura.

Passo 2: Olhar querendo ver

Sejamos realistas: quando estamos diante de um texto que exige mais de nossa interpretação, levando, inclusive, a um processo reflexivo, somos acometidos, em muitos momentos, de uma preguiça intelectual considerável. A partir daí, fazemos apenas a leitura “padrão”, desinteressada, que captura aquilo que salta aos olhos, mas não se preocupa em ver as famosas entrelinhas. E sim, eu sei que a dificuldade existe exatamente aí, e que o que você quer é saber como se faz para conseguir ir além do óbvio. Mas constatar a dificuldade é o primeiro passo para resolver. O segundo, é entender que essa leitura mais completa só vem pela própria persistência. Não adianta achar que entender um Van Gogh ou um Guimarães Rosa é algo que se faz de primeira, sem esforços. Por isso, é importante que você esteja sempre em contato com obras desse tipo, tentando não desistir à primeira dificuldade. Aproveite esse maravilhoso meio que é a internet e faça um teste: busque uma obra de arte famosa de um pintor, passe alguns minutos a observando, anote suas impressões e, por último, compare a sua análise a uma outra, já existente na rede. Nesse confronto você poderá validar suas idéias e incorporar outras, a partir de detalhes que passaram sem ser notados.

Passo 3: Associar as partes ao todo

É fato que as leituras de características individualizadas são úteis, para não dizer essenciais. Contudo, lembre-se de que você jamais pode perder o foco da unidade textual. Isso significa dizer que, ainda que os aspectos mínimos façam diferença, no final o que vai ser explorado, de fato, não é apenas um corte, mas a totalidade da obra. Assim, sua capacidade de associação torna-se fundamental para o entendmento pleno do sentido mais estrito. Em uma analogia bastante simplista, seria como você brincar de ligue-os-pontos; unindo as partes certas, a imagem formada é maravilhosa. No entanto, basta um traço fora do lugar para que todo o desenho seja comprometido. A melhor forma de garantir que isso seja realizado de forma correta é traçar uma espécie de roteiro, em que você situe cada parte analisada e depois as una levando em conta semelhanças ou oposições. Palavras repetidas e imagens complementares costumam ser bons pontos de análise, para ficarmos em duas evidências. O ideal, entretanto, é que você crie a sua própria forma de roterização, pré-definindo que aspectos você sempre irá observar primeiro. Afinal, não estamos aqui para convencionar demais, concorda?

Boa prática e até a próxima!


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