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Assunto ≠ Tema

Olá, pessoal! Como estão os estudos? Vocês têm praticado as dicas que venho postando aqui? Deixem comentários sempre, e dúvidas também!

Bem, eu disse que falaria hoje sobre o entendimento do tema. Pode parecer um tópico irrelevante, mas é preciso entender que a fuga (total ou parcial) ao tema é um dos erros mais cometidos pelos candidatos nas redações de vestibulares. É preciso ter em mente o seguinte: assunto é diferente de tema! Observem:

Assunto -> Abrangente; panorama geral.

Tema -> Mais específico; o que a banca pede.

Recorramos a um exemplo. Em 2003, o tema do ENEM foi: “A violência na sociedade brasileira; como mudar as regras desse jogo?”. Seguindo esquema anterior, temos:

Assunto -> Violência no Brasil.

Tema -> Formas de combater/vencer o problema da violência no Brasil.

Reparem que o tema está inserido no assunto, e não vice-versa. Não adiantaria, então, dissertar profundamente – e somente – sobre as causas e conseqüências da violência, sobre o tráfico de drogas, ou sobre a exploração do trabalho infantil. Era preciso, além dessa contextualização, propor soluções, maneiras de “mudar esse jogo”. Tenham bastante cuidado com o direcionamento da abordagem.

Quando falei sobre o uso inteligente da coletânea, sugeri que vocês sublinhassem as idéias mais relevantes. Façam isso no tema também. Marquem as palavras principais, e procurem voltar a elas sempre que tiverem dúvidas se estão ou não fugindo ao tema, ou falando mais sobre o assunto e menos sobre o que foi objetivamente proposto. Assim:

ENEM 2003: “A violência na sociedade brasileira; como mudar as regras desse jogo?”

ENEM 2000: “Direitos da Criança e do Adolescente; como enfrentar esse desafio nacional?”

Entenderam?

No próximo post, começarei a abordar objetivamente a elaboração de cada uma das partes de uma redação do ENEM, começando pela Introdução.

Até lá!

Enem: redação exemplar.

Oi pessoal! Esta é mais uma redação exemplar, feita nos moldes pedidos pela banca do ENEM. Trata-se do tema da prova de 2003: “A violência na sociedade brasileira; como mudar as regras desse jogo?”. Reparem no uso da interdisciplinaridade! E deixem seus comentários e dúvidas!

Inércia (in)cômoda

Na conjuntura brasileira contemporânea, a violência é quase tão discutida quanto o futebol. No entanto, enquanto o segundo é uma paixão, a primeira é um enorme problema nacional. Diariamente, os brasileiros são afetados, de diversas maneiras, por manifestações violentas e criminosas, presencialmente ou não. A sociedade está perdendo esse jogo, rendida e inerte diante de uma problemática de difícil solução. Não é impossível, porém, vencer essa batalha.

A desigualdade social, como é de conhecimento público, é um dos maiores problemas do país. Vive-se a plenitude de uma sociedade consumista, na qual o ter em detrimento do ser é valorizado e divulgado pela mídia de massa. Entretanto, dadas as diferenças socioeconômicas, nem todos podem ter acesso aos bens desejados. Dessa forma, muitos optam por caminhos alternativos para obtê-los, que são, frequêntemente, ligados ao crime e a violência, ferindo a dignidade do cidadão e gerando sentimentos de revolta, repulsa, e até vingança, em um circulo vicioso que envolve todas as classes. Esse problema poderia ser amenizado com a criação de empregos, e redução da desigualdade.

É importante, também, observar que se vive no Brasil uma cultura da impunidade, na qual existe a certeza de que, muito possivelmente, nada acontecerá a quem comete crimes tidos como menores ou menos hediondos. Assim, além das manifestações dignas de virarem notícias na televisão, existe a violência doméstica, velada e escondida. Impera a lei do mais forte contra o mais fraco, o que faz com que mulheres sejam espancadas, crianças exploradas, e aqueles que não estão diretamente envolvidos permanecem míopes, raciocinando de maneira individualista. Essa situação se perpetuará enquanto as vítimas não denunciarem seus agressores.

Percebe-se, também, certo comodismo por parte dos brasileiros das classes média e alta. Parte das elites detentoras de poder, essas pessoas se escondem em seus condomínios e prédios, onde pagam por segurança ininterrupta, mantendo a problemática da violência longe dos olhos e do coração. É como se ela não existisse, mas isso não faz com que ela desapareça. Esse processo de negação só contribui para a perpetuação do problema, pois a maior parte da população permanece pouco protegida, a mercê de tal situação. A mudança precisa partir daqueles que têm maior influência e voz na sociedade.

Dessa forma, é possível perceber que, assim como na Física, na qual a Inércia é a propriedade que mantém a matéria sem variação de velocidade, a sociedade brasileira está comodamente inerte em relação à problemática da violência, sem forças para sair da inalterabilidade e modificar a situação. É de suma importância um comprometimento de toda a população para vencer esse jogo, no qual as escolas e os meios de comunicação possuem papel fundamental na propagação de direitos e deveres. Somente com as mais diversas forças, vindas de várias camadas, contribuindo para o fim da inércia, esse perigoso adversário poderá ser derrotado, e a sociedade brasileira será vencedora.

A coletânea de textos: uma importante aliada.

Olá! Estou de volta para mais uma dica do maravilhoso mundo das Redações de Vestibular! E continuemos falando sobre o ENEM. Seguindo sempre este blog, até o dia do exame você terá muitas informações relevantes para realizar uma excelente prova.

Hoje vou falar sobre o uso da coletânea de textos. Mais do que um facilitador, mais do que sugestões de idéias, mais do que uma luz no fim do túnel, a coletânea está ali para ser utilizada de modo inteligente, principalmente no ENEM. A banca examinadora espera, sim, que você relacione o seu ponto de vista pessoal aos fatos, opiniões e argumentos oferecidos nela. Lembre-se de que a idéia é demonstrar o seu senso de cidadania e responsabilidade social, e isso quer dizer, também, que você sabe dialogar, relacionar fatos, traçar paralelos entre diferentes idéias e, por fim, afirmar o que você pensa sobre o assunto.

Mas tenha bastante cuidado! Quando disse para usar a coletânea de modo inteligente, isso quer dizer que cópias são proibidas! Você não será avaliado pela sua capacidade de copiar fragmentos dos textos apresentados. A banca está interessada em como você utiliza esses mesmos textos para reforçar a sua tese. Portanto, procure ir passo a passo. Leia os textos apresentados e sublinhe as idéias que você julga mais interessantes, sendo para concordar com elas ou discordar delas.  Depois, use essas informações de modo reflexivo, para incrementar os seus argumentos, corroborar com eles. Baseie-se no que você separou, mostre que você entendeu o que foi apresentado, mas que tem sua própria opinião sobre o assunto proposto. Ao finalizar esse cruzamento de informações, opiniões e argumentos, você estará pronto para redigir seu texto argumentativo.

Portanto, não se esqueça: não copie a coletânea, e procure não fazer referências diretas a ela, do tipo “Como consta na coletânea…”. Arme um diálogo entre as suas idéias e as idéias apresentadas. É claro que tudo isso passa, também, pelo entendimento do tema proposto, mas isso é assunto para um próximo post.

Até lá! E bons estudos!

Enem: redação nota 10

Oi, pessoal! Esta redação obteve a nota máxima no ENEM, quando o tema foi “Liberdade e Abusos nos Meios de Comunicação”. Observe como o candidato fez uso da interdisciplinaridade em seu texto. Vale aprender com ela, mas não vale copiar, hein?!

MUTUALISMO

“São várias as opiniões sobre o papel que devem exercer, assim como são comuns as críticas aos abusos que muitos cometem quando o assunto é meios de comunicação. Há séculos, livros ainda era escritos à mão e, por isso, muito raros e desejados. Passando pela grande invenção de Gutenberg, a imprensa, até os dias atuais, o culto à informação só tem crescido. É tamanha a ânsia por ver e saber que muitas pessoas perdem a noção do que é realmente necessário, deixando-se levar por interesses maiores daqueles que vivem para informar, ou em alguns momentos transformar, mentes vulneráveis. Excessos devem ser controlados, sem nunca comprometer a liberdade de informação.

A maior parte dos meios de comunicação em massa é controlada por empresas privadas. É, por esse motivo, vinculado somente o que atende os interesses individuais de seus proprietários. Tais empresários visam o lucro, e por isso não hesitam em exibir cenas fortes e violentas em horários que crianças estão acordadas, ou apelar para qualquer assunto que atraia espectadores. Assim, o Estado deveria criar um órgão eficiente que acompanhasse todos os passos da imprensa brasileira. Para evitar que seja o retorno da DIP e com isso a instituição da censura, pode-se, então, apoiar organizações não governamentais, como o Observatório da Imprensa, que já realiza esse trabalho para o bem da sociedade.

Esta, por sua vez, também possui o seu papel no combate ao abuso dos meios. Pesquisas afirmam que temas como sexo e violência atraem a atenção do público, tanto que já há até uma banalização desses assuntos. As pessoas já acham normal ver estampado nos jornais o número de mortos na última guerra do tráfico, ou que um programa de TV tenha como fundamento invadir a privacidade de um grupo de pessoas e filmar suas vidas ininterruptamente, transformando o voyerismo e o crime em assuntos comuns e rotineiros. Cabe a todo cidadão discernir entre o que acrescenta e o que é meramente apelativo.Se cada um não der mais credibilidade aos assuntos inadequados e inúteis, certamente estes deixarão de ser vinculados, já que não mais serão lucrativos. A liberdade estará garantida, bem como o patrimônio moral de todos.

As universidades também possuem um papel vital nessa preservação. Elas devem instruir melhor os alunos de carreiras como jornalismo e publicidade sobre o verdadeiro papel de um profissional da imprensa. É certo que o mesmo deve retratar a realidade, e esta é muitas vezes de violência, corrupção e escândalos. Entretanto, com a educação correta ele possuirá consciência de como os assuntos devem ser passados, sem recorrer á banalização ou à sede pelo capital. O homem é facilmente corrompido pelo dinheiro, sendo de fato difícil negar quando as condições para o enriquecimento, ascensão profissional e até a fama são favoráveis, mesmo colocando em xeque a ética. Todavia, é muito mais provável o bom senso e a moral prevalecerem com a instrução correta.

Dessa maneira, pode-se perceber que, assim como na Biologia, em que o mutualismo é a relação harmônica em que um necessita do outro para sobreviver, é necessária uma mobilização de todas as partes para o combate ao abuso dos meios de comunicação. Isso, é claro, preservando sempre a liberdade de expressão. Além disso, é indiscutível que se faz coerente uma reciclagem em todos os setores da comunicação voltada para as massas, para que se possa alcançar não só a preservação, mas a valorização dos princípios fundamentais da ética. Gutenberg, e toda a humanidade, agradecem.”


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